Uma das imagens mais icónicas e reproduzidas dos Queen aparece na capa do álbum “Queen II” (1974). Captada pelo já falecido fotógrafo Mick Rock, a fotografia, com fundo escuro, mostra Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor e John Deacon dispostos em formação de diamante, com os rostos parcialmente iluminados, enquanto o vocalista surge de braços cruzados sobre o peito.

O conceito da imagem acabou por ser reutilizado no videoclipe de “Bohemian Rhapsody”, tema do álbum seguinte, “A Night at the Opera” (1975). Também voltou a aparecer nas filmagens de “One Vision”, lançada cerca de uma década mais tarde.

Com o relançamento do álbum de 1974 num box set especial na passada sexta-feira (27), surgiu um problema precisamente relacionado com essa imagem histórica: a família de Mick Rock decidiu avançar com um processo contra a banda devido à fotografia.

Segundo o jornal The Sun, os herdeiros do fotógrafo, falecido em 2021, alegam que “ele não recebeu o pagamento que deveria pelo seu trabalho”. No entanto, Brian May contesta essa versão.

Nas palavras do guitarrista, Mick foi “muito bem pago” pelo serviço, atribuindo a situação à ganância dos envolvidos. Explicou:

“A família dele está neste momento a processar-nos por quantias enormes de dinheiro. O Mick era um tipo adorável, muito ambicioso e bastante focado em dinheiro. Nós pagámos-lhe muito, muito bem pelo trabalho que fez. Os seus herdeiros tornaram-se extremamente gananciosos e decidiram que tudo foi ideia dele, e que lhe devemos milhões e milhões, não só no Reino Unido, mas em todo o mundo.”

Para o músico, se Mick ainda estivesse vivo, o assunto resolver-se-ia facilmente:

“Tenho pena de ele já não estar cá, porque sei que, se estivesse, diríamos: ‘vá lá, resolvemos isto’. Apertávamos as mãos e ficava tudo tratado num instante.”

Os bastidores da fotografia dos Queen
Em 2008, o próprio Mick Rock revelou alguns detalhes sobre a criação da imagem, numa conversa com o designer Ioannis Vasilopoulos. De acordo com o fã-clube Queen Concerts, o fotógrafo explicou que recebeu algumas ideias da banda e acabou por se inspirar numa fotografia da atriz Marlene Dietrich no filme “O Expresso de Xangai” (1932):

“O briefing que a banda me deu para o ‘Queen II’ era que a capa tivesse um tema a preto e branco, incluísse o grupo e fosse em formato gatefold. Na altura, deparei-me com um livro de fotografias da Marlene Dietrich, que incluía uma imagem dela no set de ‘O Expresso de Xangai’. É difícil explicar por palavras, mas fiz logo uma ligação ao universo dos Queen. Tinha a ver com a personalidade do Freddie Mercury e com a aura geral da banda, simultaneamente extravagante e magnífica. E, claro, ninguém foi mais ‘glam’ do que a divina Srta. Dietrich. Mostrei a fotografia ao Freddie, ele percebeu imediatamente e convenceu os restantes a seguir a ideia.”