Totalmente interpretado em português, O Melhor e o Pior da Música Biológica inaugura um novo capítulo no percurso dos Unsafe Space Garden.

Mas mantém-nos em direcção ao objectivo com o qual sempre se comprometeram: criar uma plataforma comunitária capaz de desfazer dificuldades de comunicação e igualar a experiência humana a um lugar compreensível e saudável. Até porque “se calhar, viemos todos do mesmo sítio”, como anunciam a certa altura no álbum.

As diferentes sensações de identidade, de casa ou de natureza cíclica são algumas das nuances transversais à vida esmiuçadas nos nove temas. Entre as benesses e as desvantagens dos pressupostos da condição humana, o sexteto formado por Nuno Duarte, Alexandra Saldanha, Filipe Louro, José Vale, Diogo Costa e João Cardita oferece um manual de sobrevivência onde tons psicadélicos e prog convivem com a música tradicional portuguesa, originando uma sonoridade única, enriquecida ainda por harmonias vocais inspiradas no disco sound, guitarras funk e batidas dançáveis.

Aliado a um léxico que comemora a existência, o sucessor de WHERE’S THE GROUND? (2023) pretende, nas palavras dos Unsafe Space Garden, “dissolver raciocínios divisórios, reconstruir caminhos de memória que nos identifiquem essencialmente como da mesma espécie humana, e perspectivar sobre sensações que o mundo actual parece produzir nos seus indivíduos, como a depressão, a solidão e o desamparo, e assim transformá-las numa aprendizagem integrada e com capacidades curativas”.



Essencial na génese de O Melhor e o Pior da Música Biológica esteve o trabalho criativo que Nuno Duarte (voz e guitarra) e Alexandra Saldanha (voz e sintetizadores) desenvolveram em paralelo, desde a fundação da banda, com comunidades locais, incluindo ranchos folclóricos, fadistas e grupos de bombos e de cavaquinhos. Esta partilha profunda não só gerou uma percepção sobre o potencial da herança cultural, como também passou a integrar naturalmente a linguagem dos vimaranenses. Nos coros de “Mais Uma Voltinha”, o segundo single de avanço, ouvimos os Alunos de Música da Universidade Sénior de Moreira de Cónegos, que ilustram essa demanda na perfeição.

Com gravação, mistura e masterização a cargo de Rafael Silver, O Melhor e o Pior da Música Biológica conta com uma edição especial em vinil transparente, limitada a 300 exemplares. Também disponível nas habituais plataformas digitais, tem design de ELLEONOR, fotografias de Matilde Cunha e selo da gig.ROCKS!
 
Rebentar com as paredes (“um mundo sem divisões começa na cabeça/se lhe puxares os tendões, acabas com a doença”), reimaginar as raízes do património musical português e aceitar a vida tal como ela é, celebrando-a (“viver é o que eu irei sempre escolher”) compõem o livro de estilo dos Unsafe Space Garden em 2026.

O Melhor e o Pior da Música Biológica é um reflexo autêntico de uma carreira sólida constituída por canções honestas, actuações ao vivo incendiárias e uma excentricidade assumida num quadro technicolor.
Sejam bem-vindos a este preciso momento!