A crescente popularização das ferramentas de inteligência artificial para a criação de música tem levado as plataformas de streaming a reverem as suas políticas de distribuição e remuneração.
À medida que aumenta o número de faixas produzidas integralmente por IA — muitas delas a imitar artistas reais ou utilizadas em esquemas fraudulentos para gerar receitas através de royalties —, plataformas como a Apple Music e o Spotify têm vindo a implementar medidas para definir regras mais claras relativamente a este tipo de conteúdo.
A mais recente iniciativa partiu do Tidal, que anunciou uma política mais rigorosa para as músicas geradas por inteligência artificial. Embora este tipo de conteúdos continue a ser aceite na plataforma, propriedade de Jay-Z, as produções criadas com IA terão de cumprir critérios mais exigentes de integridade e autenticidade.
Além disso, estas faixas deixarão de ser elegíveis para receber pagamentos de royalties. A decisão reacende o debate sobre a forma como os restantes serviços de streaming estão a responder ao crescimento da inteligência artificial na indústria da música.
Como estão as plataformas de streaming a lidar com a música gerada por IA?
Segundo Tony Gervino, vice-presidente executivo e editor-chefe do Tidal, o objectivo da nova política não é travar a evolução tecnológica. Numa declaração feita na segunda-feira (29), e citada pela Complex, o responsável afirmou:
"O Tidal não está aqui para criticar o avanço tecnológico com o lançamento da nossa política de IA. Queremos deixar isso bem claro."
De acordo com Gervino, a principal preocupação da plataforma é o aumento de músicas criadas inteiramente por inteligência artificial que imitam artistas existentes com o intuito de obter lucros de forma fraudulenta.
Assim, a partir de meados de Julho, qualquer faixa gerada por IA que seja considerada associada a actividades fraudulentas será removida da plataforma. Já as músicas produzidas com recurso à inteligência artificial que cumpram as directrizes do Tidal continuarão disponíveis para streaming, mas não gerarão royalties para os seus autores ou detentores dos direitos.
Apple Music e Spotify seguem caminhos diferentes
A Apple Music também tem reforçado os seus mecanismos de controlo relativamente a este tipo de conteúdos. Em Março deste ano, foi divulgado que o serviço passou a exigir que editoras e distribuidoras identifiquem as músicas geradas por IA durante o processo de submissão.
O Spotify, por sua vez, apresentou a sua estratégia para lidar com a música criada por inteligência artificial em Setembro do ano passado. Na altura, anunciou um conjunto de medidas destinadas a proteger artistas, compositores e produtores perante o avanço desta tecnologia.
Para já, no entanto, o Tidal é a única grande plataforma de streaming a adoptar uma posição mais restritiva, impedindo inclusivamente o pagamento de royalties por músicas geradas por inteligência artificial. O sector continua, ainda assim, a procurar a melhor forma de responder aos desafios colocados pela IA.
