Afinal, nos anos 80, o Punk passou por um renascimento e encontrou novas formas de expressão que deram origem a diversos grupos icónicos, redefinindo o estilo ao mesmo tempo que continuava com o espírito de rebeldia contra normas estabelecidas e mantinha as duras críticas sociais e a busca por autenticidade como características.
Ao longo deste período, o estilo musical cru moldou-se em inúmeros subgéneros como Hardcore, Horror Punk e Punk melódico, mas continuou com a essência contestadora. A cena foi representada tanto pelo som mais cru de bandas como Reagan Youth e Minor Threat como pela pegada experimental dos Sonic Youth no final da década, revelando um momento musical muito mais expansivo.
A seguir, confira uma lista reunida pela Far Out com os 10 melhores discos de Punk dos anos 80, que reafirmam a potência do género naquela década!
The Clash – Combat Rock (1982)
Mesmo sendo um dos pioneiros do Punk, os The Clash mostraram nos anos 80 que poderiam seguir por uma direcção mais ousada e inovadora. O disco Combat Rock foi o auge dessa fase.
Mesmo não sendo tão distorcido e confrontador quanto outras obras desse período, a combinação do activismo político de Joe Strummer com a mistura de elementos do punk, new wave, funk e reggae produziu um som revolucionário, com hinos como “Should I Stay or Should I Go”.
Crass – Penis Envy (1981)
Os anarcopunks Crass continuaram contribuindo com a vertente mais tradicional do género nos anos 80, principalmente através do seu terceiro disco de estúdio Penis Envy, que contou com as vocalistas Eve Libertine e Joy De Vivre.
Numa cena predominantemente machista, o disco abordou questões que não eram frequentemente discutidas, como sexismo, feminilidade e patriarcado. Além de algumas das melhores performances musicais da banda, o álbum foi marcado por importantes mensagens políticas.
X – Los Angeles (1980)
Através do seu disco de estreia Los Angeles, a banda X, que representou a cena punk da Costa Oeste dos EUA no início dos anos 80, foi responsável por contribuir com o desenvolvimento do punk e do hardcore ao longo da década.
Impulsionado pelas vozes principais conjuntas de Exene Cervenka e John Doe, a sonoridade do disco tinha forte influência dos Germs, e contou com a produção de Ray Manzarek, dos The Doors, o que contribuiu para uma sonoridade totalmente única.
Descendents – Milo Goes to College (1982)
É impossível falar da cena punk dos anos 80 sem destacar o grupo californiano Descendents. Em 1982, a banda lançou o seu disco de estreia Milo Goes to College, que pode ser descrito como um álbum de hardcore puro mas também apresenta diversas outras influências, incluindo canções de amor agressivas e irónicas.
Inclusive, o álbum foi essencial no desenvolvimento da cena pop punk, abrindo caminho para uma legião de bandas que dariam sequência ao legado do éênero de uma maneira mais moderna e acessível.
Frightwig – Faster, Frightwig, Kill! Kill! (1986)
Antes do movimento Riot Grrrl ganhar força nos anos 90 com bandas como Bikini Kill e Bratmobile, os Frightwig já estavam representando as mulheres na cena Punk e abrindo os caminhos com discos poderosos como Faster, Frightwig, Kill! Kill! (1986).
Através de paródias sobre as expectativas de feminilidade dos anos 80, a dupla Deanna Mitchell e Mia d’Bruzzi confrontou o domínio masculino no punk com um disco enérgico, destemido e injustamente subestimado.
Minor Threat – Minor Threat (1984)
Os Minor Threat destacam-se como um dos grandes nomes da cena hardcore do início dos anos 80 – e não precisou de muito para ganhar esse título. Devota do “Do It Yourself” (“faça você mesmo”), a banda lançou todos seus discos de forma independente pela Dischord Records, que se tornou um pilar do movimento.
Através de sua coletânea homónima que reúne os dois primeiros EPs da banda, também conhecida como First Two Seven Inches e lançada em 1984, os Minor Threat conseguiram expressar um manifesto sonoro que influenciou outras gerações com apenas 12 músicas que duram ao todo pouco mais de 18 minutos.
The Cramps – Songs the Lord Taught Us (1980)
Os The Cramps decidiram inovar em referências e buscaram inspiração em banda desenhada de terror, filmes B de ficção científica e em canções esquecidas de rockabilly dos anos 50, criando um som único que veio a influenciar toda uma geração através do “psychobilly”.
No seu emblemático disco de estreia Songs The Lord Taught Us, que uniu composições originais e releituras enérgicas de Link Wray, Johnny Burnette e vários outros ícones subestimados do R&B e do rockabilly, o grupo conseguiu superar as expectativas do punk rock e rapidamente ficou conhecido como um dos grupos mais originais do movimento Punk.
Black Flag – Damaged (1981)
Os Black Flag frami responsáveis por definir o som do punk americano ao lançar seu emblemático disco Damaged em 1981.
Com Henry Rollins assumindo a voz, a banda elevou a intensidade do seu som, explorando um novo potencial de agressividade sonora e adotando uma postura anti-autoritária inabalável e intransigente. Não à toa, o disco em questão se tornou-se um dos trabalhos de punk mais icónicos a ser tocado nas rádios.
Bad Brains – Bad Brains (1982)
Surgindo também da cena hardcore de Washington D.C., os Bad Brains apresentaram uma identidade única através de um som completamente novo no seu disco homónimo de 1982 que unia elementos do hardcore, hard rock, metal e dub reggae.
A performance imprevisível do vocalista HR conduz o ouvinte por explosões sonoras que são estrategicamente interrompidas por músicas de dub espelhadas no disco para que o ouvinte consiga recuperar o fôlego antes de ser novamente lançado nas rodas punk anárquicas que guiam o disco.
Dead Kennedys – Fresh Fruit for Rotting Vegetables (1980)
Poucas bandas conseguiram captar o espírito revolucionário do punk dos anos 80 tão bem quanto Jello Biafra e os Dead Kennedys. Desde o início, o grupo causou um determinado choque tanto pelas suas composições politizadas como através de outros elementos, como o próprio nome da banda.
Com o disco de estreia Fresh Fruit For Rotting Vegetables, os DK consolidaram-se como uma das bandas mais destemidas da década, abordando com sarcasmo questões políticas delicadas, criticando o conservadorismo e a própria indústria cultural, como por exemplo quando alfinetou o mainstream do rock and roll com sua versão espetacular de “Viva Las Vegas”, de Elvis Presley.
Foto: Karen Filter
