Morreu aos 78 anos o realizador e argumentista americano David Lynch. A notícia chegou a público quatro dias antes do seu aniversário, que seria celebrado na segunda-feira (20).
A causa não foi divulgada. Sabe-se, porém, que ele tinha sido diagnosticado com um enfisema pulmonar — a condição o obrigaria a aposentar-se de todas as funções.
Indicado quatro vezes ao Oscar, Lynch celebrizou-se por produções surrealistas, caracterizadas por retratações de sonhos e forte presença do elemento sonoro na trama. Seu sobrenome se tornou sin´nimo desse tipo de filmes, com a adaptação do termo “Lynchiano”.
Seu primeiro sucesso comercial foi “O Homem Elefante” (1980). Também dirigiu “Duna” (1984), “Veludo Azul” (1986) e “Cidade dos Sonhos” (2001). Outro grande sucesso veio com a saga “Twin Peaks”, que se desdobrou entre série televisiva e cinema.
Aposentadoria de David Lynch devido a um enfisema
Em agosto último, o cineasta David Lynch declarou que se aposentaria da direção de filmes e séries. O principal motivo era a sua batalha contra um enfisema pulmonar que o impedia de sair de casa para trabalhar. No entanto, ele reconsideraria caso fosse possível comandar tudo de forma remota.
A revelação foi feita à revista Sight & Sound. O diretor convivia com os efeitos do fumo a longo prazo e levava uma vida de confinamento – tanto pelas limitações físicas quanto pelo risco de ser contaminado com doenças respiratórias, incluindo a covid-19. À época, afirmou: “Eu tenho enfisema por fumar há tanto tempo e por isso estou em casa, quer eu queira ou não. Seria muito ruim para mim ficar doente, mesmo com um resfriado. Só posso caminhar por uma curta distância sem ter que recorrer ao oxigénio.”
Na mesma conversa, o realizador reflectiu sobre os efeitos do fumo na sua vida a longo prazo. E admitiu só ter parado por conta dos problemas de saúde.
“Fumar é algo que eu absolutamente amava fazer. Fazia parte da arte da vida, para mim. O tabaco, o cheiro dele, o acto de acender, fumar, voltar e sentar… E então fumar novamente, analisar meu trabalho, pensar nas coisas da vida… Nada no mundo é tão bonito. Ao mesmo tempo, é o que está me matando. Então tive que parar.”
