Há bandas que pedem licença para entrar e bandas que arrombam a porta. BALEIA BALEIA BALEIA são das que arrombam a porta, comem o que está na mesa e no frigorífico, partem a loiça e, de alguma forma, ainda nos convencem a convidá-las para jantar outra vez.
O duo portuense formado por Manuel Molarinho (baixo e voz) e Ricardo Cabral (bateria e voz) lançou a 12 de fevereiro de 2026 “OUTRA VEZ ARROZ”, o terceiro álbum de originais, editado pela Saliva Diva com apoio da Fundação GDA, disponível em vinil, CD e plataformas digitais. O vídeo de “NPC” dos BALEIA BALEIA BALEIA fica em baixo para veres.
BALEIA BALEIA BALEIA e a arte de cozinhar com dois bicos
Se alguém te disser que não se faz um disco de grunge ou rock alternativo só com baixo, bateria e voz, manda ouvir BALEIA BALEIA BALEIA. É a melhor resposta e a mais curta. Molarinho e Cabral operam com o mínimo e extraem o máximo. Sem guitarras, sem teclados, sem enfeites, apenas dois instrumentos, duas vozes, e uma receita que, ao quinto lançamento, já não precisa de livro de instruções.
O título diz tudo. “OUTRA VEZ ARROZ” parte de uma premissa que qualquer português reconhece: quando o arroz é bom, come-se todos os dias sem reclamar, a acompanhar com tudo. BALEIA BALEIA BALEIA encontraram o tempero e agora pedem-nos para confiar na repetição da dose.
A coisa é que este arroz vem carregado de distorção, cozinhado em lume alto, com o baixo a ferver e a bateria a martelar o ritmo sem contemplações. Música que nos leva ao Grunge, ao Sludge, ao Rock Alternativo, pesado, rápido, enérgico, com o ruído sempre a espreitar por cima do ombro e a crítica social a temperar cada dentada.
“OUTRA VEZ ARROZ”: Nove faixas com os dentes afiados
O alinhamento de “OUTRA VEZ ARROZ” não perde tempo com entradas nem aperitivos. “ANTIFA AO CONTRÁRIO É OTÁRIO” abre a porta com o pé, traz companhia (Marcus Veiga dos Scúru Fitchádu, Beatriz Bronze dos EVAYA e um Coro Informal Antifa com mais de 25 vozes) e planta a bandeira antes de alguém se sentar. Provocação? Sim. Mas com a receita por trás para a sustentar.
“AUTO-EXTINÇÃO” e “SUPER-AGROBETO” (com Clara Anjos) pegam no humor e apontam-no como arma. O sarcasmo dos BALEIA BALEIA BALEIA nunca é gratuito. Há sempre uma farpa por baixo da piada, e a distorção carregada do baixo garante que a mensagem chega com a força necessária. “NPC”, o single já conhecido desde o ano passado, mantém o niilismo contemporâneo numa montanha-russa de pára-arranca que se cola ao ouvido.
Mas “OUTRA VEZ ARROZ” não é só dentes cerrados. “DEIXA O FRIO ENTRAR” e “HEDONINHO” abrem janelas num edifício aparentemente blindado. Entra fragilidade, entra prazer, entra uma vulnerabilidade que a porrada dos restantes temas faz questão de proteger. “SOBRESTIMULADOS” e o maravilhosamente intitulado “VAI CHAMAR-SE OVERTHINKING, OU SE CALHAR NÃO, TALVEZ SEJA MELHOR UM TÍTULO EM PORTUGUÊS” fazem exactamente o que prometem: pensar demais em voz alta, com distorção no máximo (ou quase). A faixa-título surge como interlúdio instrumental, uma pausa para o arroz repousar antes de ser servido entre feedbacks e ruído.
O álbum “OUTRA VEZ ARROZ” de BALEIA BALEIA BALEIA já está disponível em vinil, CD e em todas as plataformas digitais do costume. Não percas!
