O AKAI MPC Sample promete trazer de volta a diversão de fazer beats: sampling e sequenciação em tempo real, sem a confusão associada a outros MPC modernos. Será que consegue recuperar a magia dos primeiros MPC?    

A série MPC da AKAI é há décadas uma referência para produção sem DAW. Quem quer fazer beats sem depender de software acaba quase sempre por considerar este tipo de equipamento, especialmente no hip hop. O problema é que os MPC mais recentes tornaram-se tão complexos que já funcionam quase como software. No fundo, são DAWs em formato hardware, com capacidades semelhantes e também com curvas de aprendizagem parecidas. Por isso, muitos produtores sentem nostalgia dos modelos clássicos como o MPC3000, MPC2000(XL) ou MPC1000. Não faziam tanto, mas eram muito mais diretos e intuitivos, sem menus confusos nem excesso de opções.

Hoje existem várias alternativas interessantes. Para além do Roland SP-404, há também o Teenage Engineering EP-133 K.O. II e o Sonicware SmplTrek, que têm ganho bastante popularidade e costumam ser mais acessíveis.

A AKAI percebeu essa tendência e com o MPC Sample tenta voltar ao essencial: sampling simples, workflow intuitivo e uma experiência mais inspiradora. O MPC Sample é mais pequeno e leve do que outros MPC autónomos. É feito em plástico, mas parece sólido. A parte superior é inclinada, o que ajuda a ver melhor o ecrã.

Os 16 pads RGB são mais pequenos, mas respondem bem. À esquerda está o slider clássico e à direita um encoder rotativo e os botões de transporte. Os controlos são familiares: Sample, Sequence, bancos de pads, Note Repeat, 16 Levels, Mute, Loop, Chop, Tap Tempo e efeitos. Algumas funções extra usam o botão Shift. O ecrã LCD de 2,4” é simples mas suficiente para editar samples, sequências e efeitos. Tem botões e knobs que mudam conforme o modo.

A coluna integrada não tem grande potência, mas dá jeito para usar em qualquer lado. A bateria dura até cinco horas, tornando-o portátil. O microfone integrado permite gravar sons rapidamente, embora com qualidade limitada.

Ligações
  1. USB-C
  2. Entradas e saídas áudio em jack 6.3 mm
  3. Controlo de ganho
  4. MIDI e Sync em mini-jack
  5. Saída de auscultadores
  6. Slot microSD
Ao ligar o equipamento, ele arranca com projetos de demonstração e é fácil começar a tocar logo. As funções básicas são intuitivas mesmo sem experiência com MPC. O manual incluído é básico, sendo melhor consultar o PDF completo.

A biblioteca inclui vários projetos demo e mais de 100 kits.
  1. Gravação e edição de samples
  2. Gravação via microfone, entrada áudio ou USB
  3. Ajuste de nível e gravação direta para pads
  4. Funções de afinação, corte e loop
  5. Warp (time stretch e pitch)
  6. Envelope e filtro
  7. Modo Chop (divisão de samples em partes)
O processo é simples: escolher entrada, ajustar o nível e gravar. Depois o sample pode ser editado. A precisão no corte pode ser difícil no início, mas existe zoom (mal documentado).

No modo Chop, os samples são divididos e distribuídos pelos pads. No entanto, não há criação automática de kits — tem de ser feito manualmente.
  1. Sequenciação
  2. Gravação em tempo real
  3. Quantização opcional
  4. Automação de parâmetros
  5. Song Mode
  6. Step Edit
A sequenciação segue o estilo clássico MPC. Não tem funcionalidades avançadas como piano roll, mas mantém o workflow simples. Permite também editar timing e dinâmica das notas.
 
Efeitos
  1. Pad FX (até 4 ao mesmo tempo)
  2. Knob FX (aplicados a pads específicos)
  3. Flex Beat (efeitos rítmicos tipo DJ)
  4. Compressor master
Os efeitos são pensados mais para performance do que para mistura técnica. Desde o primeiro momento, o MPC Sample é divertido de usar. O workflow é rápido, intuitivo e sem distrações. Aprende-se em pouco tempo. A principal limitação é ter apenas uma pista. Não dá para carregar vários kits completos ao mesmo tempo, o que complica a criação de músicas mais completas.

Ainda assim, funciona muito bem para criar ideias rapidamente. Os projetos podem depois ser exportados para software MPC ou outros MPC.

O MPC Sample pode ser exatamente o que muitos esperavam: simples, direto e focado no essencial. Não faz tudo, mas faz bem aquilo a que se propõe — e torna o processo divertido.